Baixada
com toda essa timidez
tu és bonita demais.
Levada? Fama talvez.
Levada ou não tanto faz.
Baixada,
pintam maldade,
miséria, dor, agonia,
mas não a felicidade
que mora no dia a dia.
A bola rola um colosso,
feijoada no quintal,
terra de velho, de moço,
de garra fenomenal.
O boteco do “Seu Zé”
tem uma pinga de jeito,
cura mágoa, dor no pé,
as “ziqueziras” do peito,
ingratidão de mulher,
um trago só e tá feito.
Salta a cerveja gelada,
trás o copo para o Adauto,
hoje a conta ta zerada
põe lá no prego mais alto,
e uma conversa afiada
e a roda cresce num salto.
O trem que corta a Baixada
trás pendurada a alegria
ao som de uma batucada,
samba, suor, poesia;
se a vida for complicada
sorrisos têm por magia.
Minha Baixada é assim,
há um otimismo sem fim
dobrando as mágoas de alguém
e na cabeça a noção:
o sol que doura a mansão
doura o casebre também.
Nossa Baixada é assim,
acordes de um bandolim
entram na alma da gente
e um violão displicente
nos dedos de um aprendiz
desafina, pedem bis
na ânsia de incentivar,
alguém murmura baixinho
uma canção de ninar.
De algum lugar
vem um cheiro,
um cheiro bom de tempero
que toma conta do ar.
Essa é a Baixada da gente,
Um jeito bom de viver,
se há humildade aparente
há uma riqueza de ser.
Baixada quem te conhece
sabe da tua candura,
sabe da tua ternura,
doçura de lambuzar,
os bouguevilles debruçam
nos muros de separar,
E as bananeiras arcadas,
goiabeiras carregadas
mangas, caquis, araçás.
Ainda se encontram faceiras
cana caiana, touceiras
docinhas pelos quintais.
Quando se fala em Baixada
tem muita gente emproada
que às vezes torce o nariz.
Nossa Baixada é decente
É terra, é berço da gente
que luta, mas é feliz.






