Mas a paz é possível
se dermos as mãos
e fizermos bandeira
da fraternidade.
Se fizermos irmão
o menino que rola
ao cheiro da cola
na comunidade.
O moço que aplica
O “pico” na veia
e o que cambaleia
perdido, cachaça.
O homem que amarga
o rigor da cadeia,
e o velho que dorme
mendigo na praça.
A paz é possível
se eu for por inteiro
gigante na luta
da mão estendida.
Se ainda na dor
me fizer companheiro
e do jeito que for
eu sanar a ferida.
A paz é possível
se os ‘EUS’ deste mundo,
de alguma maneira,
mudarem pra “NÓS”.
Se nós que falamos
de amor e no fundo
a cada segundo
vivemos o algoz,
criarmos coragem,
partir em viagem
espalhando sorriso
e ternura na voz.
A paz é possível
se a nossa razão
agir em função
da extinção da miséria.
Se fizermos do alheio,
do estranho, um irmão,
e a proposição
não tornar-se pilhéria.
A paz é possível,
o sorriso, a esperança
se a gente embalar a criança,
com jeito.
Saber que é vital
investir na esperança
se a meta é um futuro
bem mais-que-perfeito.
Mas não é possível
de braços cruzados,
de ombros caídos,
quereres minguados,
os gestos sofridos,
desacreditados.
E não é possível
se os homens que mandam,
detêm o poder
e independe a razão,
controlam num laço
o direito de ser
e o pranto no espaço
da palma da mão.
A paz é possível
no tempo que for,
em qualquer milênio,
se com o pudor,
com a justiça e o amor
nos fizermos convênio.











