A edição de março do Garimpo - Mensário de Poesia e Espiritualidade prestou uma bela homenagem ao poeta João Prado. Poetas de várias partes do Brasil escreveram versos dedicados ao Poeta do Otimismo, compondo assim uma verdadeira carta de amor e gratidão pelo seu trabalho.
João Prado - O Poeta do Otimismo
Dedicado à obra do Poeta do Otimismo, trazendo textos seus e informações sobre apresentações.
quarta-feira, 18 de março de 2026
João Prado homenageado
A edição de março do Garimpo - Mensário de Poesia e Espiritualidade prestou uma bela homenagem ao poeta João Prado. Poetas de várias partes do Brasil escreveram versos dedicados ao Poeta do Otimismo, compondo assim uma verdadeira carta de amor e gratidão pelo seu trabalho.
terça-feira, 10 de março de 2026
Reconhecimento
Era um mendigo velho,
bem velhinho,
Os olhos muito azuis,
corpo magrinho,
As mãos tão enrugadas
coitadinho.
As faces castigadas
sem carinho,
as vestes tão surradas,
desalinho,
futuro quase nada,
miudinho.
A fé inabalada
e tão sozinho,
sentou-se sob a ponte
e sobre o chão
juntou toda ternura
e devoção.
E então com muita fé
ergueu sua latinha
de café
e meio pão
e agradeceu a Deus
a refeição.
domingo, 1 de setembro de 2024
Depoimento de tragédia urbana
Aí ela pegou a faca
eu vi, seu moço
e ZÁS, com um golpe frio
e do pescoço
o sangue fez jorrar.
De nada valeu da morta
a resistência,
pois ela demonstrava ter
experiência no jeito de matar.
Depois então
da água que fervia no fogão
sobre o corpo inerte derramou.
Aí, ato contínuo
friamente
foi-lhe tirando as roupas
bruscamente
até que o corpo inteiro
desnudou.
E a cabeça fez-se decepada,
as coxas também foram separadas
e o tronco num só golpe
aberto ao meio.
Picou-lhe em pedacinhos,
disparate.
Pôs sal, pôs cebolinha,
pôs tomate,
depois de lhe arrancar
todo o recheio.
Havia uma emoção
nos olhos dela
quando temperou toda a galinha
e pôs pra cozinhar
numa panela.
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
Origem
E se me perguntarem nas andanças
onde eu aprendi versos de amor;
Onde eu encontrei tanta esperança
E em que caminho afinal achei a flor;
E se me perguntarem aonde eu for
se existe céu assim tão estrelado
Ou apenas é ilusão de um sonhador
que anda vez em quando tresloucado;
E se me perguntarem onde a lua
brilha com tamanha intensidade.
E onde eu encontrei a tal da rua
na qual reside o amor, felicidade;
E onde é a terra promissora
de gente com amor pelo torrão;
e a cidadezinha encantadora
da qual se for preciso eu beijo o chão;
E se me perguntarem em que praça
a gente ainda encontra poesia;
E onde a lua brinca, faz pirraça,
na ânsia de ficar por todo o dia;
Onde é a terra hospitaleira
de gente fim de tarde na calçada?
A mão sempre estendida, costumeira,
sorriso feito flor desabrochada.
Eu com todo orgulho então direi:
Eu venho de um lugar tão requintado
que lá qualquer pessoa é feito rei.
Eu venho de uma terra tão bonita,
que um dia Deus criou emocionado
e os homens batizaram de Mesquita.
segunda-feira, 1 de julho de 2024
Rua dos sonhos
À tardinha, na minha rua,
a vida é de qualidade;
tem gente vivendo a vida
com tanta simplicidade.
Meninas brincam de roda,
moleques jogam pião,
há um grupo no portão,
falando de futebol.
E três ou quatro meninas,
queimadas de muito sol,
falam da vida, da sorte,
da esperança, da alegria,
a matemática mata,
mas que inferno,
e a geografia?
E o pipoqueiro aparece
lá no princípio da rua.
O sol cochila, adormece,
é cheia a fase da lua.
E a lua linda prateia
a rua, serenamente.
Quem dera que a lua cheia
desse filhotes pra gente
e o pipoqueiro persistente
com a roupa branca, engomada,
e a meninada que assiste
desponta em flor na calçada
Belém, blém, blém, blém, belém
Pipoca doce, salgada.
E a velhinha faz crochê
em uma cadeira e balança
dá gosto da gente ver
a habilidade na trança,
Borda a saudade de verde
pra confundir com esperança.
O rio passa sereno
sob a ponte de madeira,
na vida a pressa é um veneno,
vai passar a vida inteira.
É necessário prudência
na queda da cachoeira.
Na minha rua se encerra
uma ternura invejada,
mas minha rua é de terra,
de chão batido, coitada!
Coitada, mas que coitada?
Mas que coitada, que nada.
A minha rua é encantada,
a minha rua tem vida,
rosas, jardins, margaridas
desabrocham nos quintais;
mangas, caquis, araçás,
goiabas brancas, vermelhas,
chão batido, cor de telha.
A minha rua é vermelha
tal qual sangue que corre,
tal qual tarde que morre,
tal qual vinho que escorre,
tal qual tarde que morre
depois de um dia de sol.
O sol que deixa vermelho
o céu de todo arrebol.
Mas quando enfim anoitece
e a rua é toda sossego,
entre os murmúrios de prece
há sussurros de chamego.
Depois a rua adormece.
É paz em cada aconchego.
E a paz com tudo realça
e surge um anjo encantado
cobrindo a rua descalça
com um manto todo estrelado.
sábado, 1 de junho de 2024
Torcedor desiludido
Mas Mengo que desgraceira!
Vai ficar nessa pasmeira
ou vai jogar pra vencer?
Antigamente, Mengão,
você batia um bolão
dava até gosto de ver.
Tempos bonitos de glória,
cada jogo uma vitória,
vida de tranqüilidade.
Agora o jogo começa
você cai, você tropeça;
ta faltando intimidade?
Botei camisa e boné
saí pra dar um “rolé”
Eu era todo Mengão.
Um safado, bem safado,
me pediu tudo emprestado
pra fazer pano de chão
Ô Mengão, tá tudo errado!
Eu já ando amargurado
pois é tanta gozação.
Como é que vai o “Menguinho”
com “ar” de „„pequenininho‟‟?
É segunda divisão!
E a gozação é geral,
tem time perna de pau
limpando a cara comigo.
No bar lá perto de casa
a gozação cria asas,
parece campo inimigo.
“Ô Seu Manoel, por favor,
uma vela, meu senhor,
tem alguém agonizando.”
E eu tenho que engolir,
ficar calado e ouvir.
É certo o que estão falando.
Ô Mengão, não compreendo,
francamente eu não entendo.
Explicação não se encontra
o treinador “na ferida”:
“Quero gol nessa partida”
Você vai e faz gol contra!
É, o outro time jogava,
fizemos gol onde dava.
Explica-se o jogador.
O treinador não pediu?
O gol saiu, não saiu?
E ainda sou goleador.
É triste, mas é verdade,
um torcedor nessa idade
viver o que estou vivendo.
Ô Mengão, vê se te ajeita.
isso é praga ou coisa feita?
Não estou te reconhecendo.
Nos tempos idos Mengão,
com a meta de campeão,
era o jogo disputado.
Hoje na fase indecente
a gente torce somente
para não ser rebaixado.
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Recado nº 4
Tu que andas cansado
vazio, desanimado,
parece que o mundo todo
já desabou ao teu lado,
levanta cara, sacode,
eu não sei como é que pode
tanta amargura e desdita
e crê, a vida é bonita!
Vem ver na beira do tempo
a festa que o tempo fez
e reage de uma vez,
galopa numa esperança
tirada de lá do fundo.
Rodopia a mão no mundo,
num laço prende a certeza,
briga, sacode, disputa
vira a mesa, vai à luta.
A vida te cobra vida,
o mundo te cobra garra,
amarra o teu desengano
num pé de não quero mais
bem distante da esperança,
da coragem bem lá atrás.
Acredita, vai em frente
com raça quebra a corrente
e bate no peito: eu posso,
quero, faço, aconteço;
vira o mundo pelo avesso
mas faz, constrói, realiza
não precisa ser gigante
super-homem nem precisa,
basta seres tu somente
com a força suficiente
que tens lá dentro de ti
mas que está adormecida.
A vida te cobra riso,
faz da vida um paraíso,
quem tem raça por raiz
terá flor feito sorriso.
Vem, levanta firme, altaneiro
põe sangue nas tuas veias,
põe mais sal nesse tempero,
habita Deus no teu peito
de um jeito bem verdadeiro.
Tem estrelas te espiando.
Que importa a lama no pé?
A fé que vai carregando
a gente, se for a fé
se realmente palpita
faz essa vida bonita
do jeito que a vida é.






