sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sabes?


Sabes de que

que eu tenho saudade?

Do jeito tão doce

que olhavas para mim,

aqueles sorrisos

por tudo, por nada,

a vida encantada

eu julgava sem fim.

Sabes de que

que eu tenho saudade?

Da cumplicidade

e o amor que existiam.

Eu era metade,

você a metade

e as duas metades

num só se fundiam.

Sabes de que

que eu tenho saudade?

do beijo, Ah! o beijo

que a gente se dava

e se demorava

alheio ao redor.

O mundo era nosso,

um mundo maior,

cabiam meus sonhos

e eram bastantes,

cabiam teus sonhos

demais fascinantes

e tantos projetos,

roteiros demais.

Sabes de que

que eu tenho saudade?

da paz,

a paz que existia

nos nossos abraços,

a gente prendia

a ternura nos laços

e o tempo era escasso

pra tanto se dar.

Sabes de que

que eu tenho saudade?

Eu tenho saudade

do tempo de ousar.

Me dar por inteiro

sem me machucar

Eu tenho saudade

de olhar nos teus olhos

sem medo de olhar.

quarta-feira, 18 de março de 2026

João Prado homenageado


 A edição de março do Garimpo - Mensário de Poesia e Espiritualidade prestou uma bela homenagem ao poeta João Prado. Poetas de várias partes do Brasil escreveram versos dedicados ao Poeta do Otimismo, compondo assim uma verdadeira carta de amor e gratidão pelo seu trabalho.

O Garimpo, cujo título foi inspirado no segundo livro de João Prado, é um boletim poético virtual publicado desde 2016. A edição dedicada a João Prado pode ser baixada gratuitamente CLICANDO AQUI.

terça-feira, 10 de março de 2026

Reconhecimento


Era um mendigo velho,

bem velhinho,

Os olhos muito azuis,

corpo magrinho,

As mãos tão enrugadas

coitadinho.

As faces castigadas

sem carinho,

as vestes tão surradas,

desalinho,

futuro quase nada,

miudinho.

A fé inabalada

e tão sozinho,

sentou-se sob a ponte

e sobre o chão

juntou toda ternura

e devoção.

E então com muita fé

ergueu sua latinha

de café

e meio pão

e agradeceu a Deus

a refeição.