segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Recadinho


Meu filho,

não me reclames

por eu sempre questionar

teus caminhos, aonde ir.

Quanto à hora de chegar,

o meu jeito é inquirir

sobre as tuas companhias

e até minha ousadia

de querer bisbilhotar

teus segredos e paixões.

Tenho cá minhas razões.

Absurdas? Antiquadas?

São porém essas razões

muito bem fundamentadas.

A maneira de cobrar

se comeste na hora certa.

Minha forma de exclamar:

Santo Deus, camisa aberta!

Tosse, gripe, resfriado.”

Mundo tão desavisado

esse teu, tão imprudente.

Mas pondere o coração,

por favor não se dê tanto,

põe cautela na emoção.

Meu cuidado causa espanto,

é meu zelo simplesmente

que não é mais atual.

Filho tão independente

que o cuidado é irracional.

Mas se um dia

eu não cobrar,

te der toda a liberdade.

E jamais me preocupar

com a tua integridade.

Não olhar mais o teu rosto,

Não notar tuas olheiras.

Quando os doces de teu gosto

eu não deixar nas compoteiras.

E puser no travesseiro

a cabeça mansamente.

Sem saber teu paradeiro

e dormir tranqüilamente.

Quando eu não quiser saber,

nada enfim te perguntar,

teu deslize não doer

nem teu riso me encantar,

Aí sim, tu podes crer,

cabe então me reclamar.