Meu filho,
não me reclames
por eu sempre questionar
teus caminhos, aonde ir.
Quanto à hora de chegar,
o meu jeito é inquirir
sobre as tuas companhias
e até minha ousadia
de querer bisbilhotar
teus segredos e paixões.
Tenho cá minhas razões.
Absurdas? Antiquadas?
São porém essas razões
muito bem fundamentadas.
A maneira de cobrar
se comeste na hora certa.
Minha forma de exclamar:
“Santo Deus, camisa aberta!
Tosse, gripe, resfriado.”
Mundo tão desavisado
esse teu, tão imprudente.
Mas pondere o coração,
por favor não se dê tanto,
põe cautela na emoção.
Meu cuidado causa espanto,
é meu zelo simplesmente
que não é mais atual.
Filho tão independente
que o cuidado é irracional.
Mas se um dia
eu não cobrar,
te der toda a liberdade.
E jamais me preocupar
com a tua integridade.
Não olhar mais o teu rosto,
Não notar tuas olheiras.
Quando os doces de teu gosto
eu não deixar nas compoteiras.
E puser no travesseiro
a cabeça mansamente.
Sem saber teu paradeiro
e dormir tranqüilamente.
Quando eu não quiser saber,
nada enfim te perguntar,
teu deslize não doer
nem teu riso me encantar,
Aí sim, tu podes crer,
cabe então me reclamar.
