sábado, 10 de outubro de 2026

A paz é possível


Mas a paz é possível

se dermos as mãos

e fizermos bandeira

da fraternidade.

Se fizermos irmão

o menino que rola

ao cheiro da cola

na comunidade.

O moço que aplica

O “pico” na veia

e o que cambaleia

perdido, cachaça.

O homem que amarga

o rigor da cadeia,

e o velho que dorme

mendigo na praça.

A paz é possível

se eu for por inteiro

gigante na luta

da mão estendida.

Se ainda na dor

me fizer companheiro

e do jeito que for

eu sanar a ferida.


A paz é possível

se os ‘EUS’ deste mundo,

de alguma maneira,

mudarem pra “NÓS”.

Se nós que falamos

de amor e no fundo

a cada segundo

vivemos o algoz,

criarmos coragem,

partir em viagem

espalhando sorriso

e ternura na voz.


A paz é possível

se a nossa razão

agir em função

da extinção da miséria.

Se fizermos do alheio,

do estranho, um irmão,

e a proposição

não tornar-se pilhéria.


A paz é possível,

o sorriso, a esperança

se a gente embalar a criança,

com jeito.

Saber que é vital

investir na esperança

se a meta é um futuro

bem mais-que-perfeito.

Mas não é possível

de braços cruzados,

de ombros caídos,

quereres minguados,

os gestos sofridos,

desacreditados.


E não é possível

se os homens que mandam,

detêm o poder

e independe a razão,

controlam num laço

o direito de ser

e o pranto no espaço

da palma da mão.


A paz é possível

no tempo que for,

em qualquer milênio,

se com o pudor,

com a justiça e o amor

nos fizermos convênio.