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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

O SOL NÃO TEM GUARDA-CHUVA

 

Creio que o sol

não tem guarda-chuva

nem capa;

se chove

ele logo se esconde.

Será que ele fica

em casa dormindo?

E se acaso tem casa,

também não sei onde.


Ele é tão bobinho,

não sabe o que é bom:

brincar numa chuva,

ficar bem molhado,

sapato encharcado,

meu Deus, ATCHIM!

O risco que tem

é pegar resfriado.

 

Mas vale a aventura,

o risco compensa!

Pra mim o sol tem razão:

se o meu corpo quente

me faz resfriar,

coitadinho do sol,

que resfriadão!


DESENHOS PARA SALVAR, PINTAR E SE DIVERTIR



segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Virei criança

Virei criança
já não tenho mais juízo
descobri que só preciso
de um sorriso pra viver.
Virei criança
não me afobo com a desdita
vejo a vida mais bonita
quando eu deixo acontecer.
 
Virei criança
Faço muito pelo pouco
meio bobo, meio louco
acho a guerra uma utopia.
Virei criança
picolé pra mim é festa.
Eu namoro pela fresta
da janela da alegria.
 
Virei criança
e na estrada da inocência
meu amor virou doença
de se dar sem receber.
Virei criança
eu cantei, brinquei de roda
 e a esperança tão em moda
deu-me a mão pra me dizer
que ser criança
é ter tudo sem ter nada
é nas mãos da namorada
ter o doce que há no mundo.
Virei criança
e tão bom se toda a gente
se fizesse assim somente
pelo menos um .segundo.
 
Virei criança
tenho medo do escuro
e por traz de qualquer muro
pode ter bicho papão.
Virei criança
e meus pés sem protocolo
andam nus pisando o solo
sem pisar minha razão.
 
Virei criança
e com minha atiradeira
derrubei da goiabeira
um filhote de tristeza.
Virei criança
vou feliz cortando o campo
quero a luz do pirilampo
vou nascer na correnteza.
 
Virei criança
vou caçar um resfriado
vou morar todo molhado
numa chuva, coisa boa.
Virei criança
traquinice é minha dona
na esperança fiz carona
pra sorrir enquanto voa.
 
Virei criança
e no peito um passarinho
canta, canta o coitadinho
e quanto mais, mais quer cantar
Virei criança
se meu sol está distante
está perto e quem garante
é a razão pra desbravar.
 
Virei criança
empinei meu papagaio
e o danado como um raio
estancou, voou, sumiu.
Mas ser criança
é ter outro simplesmente
bem mais alto e mais coerente
que o primeiro que fugiu.
 
Virei criança
pus no peito uma esperança
pus um doce de criança
na cabeça pra pensar.
Não sei de guerra,
nem de crime nem de morte
benfazejo a minha sorte
tenho o mundo pra brincar.
 
Virei criança
pus na mão do meu destino
um pião bem pequenino
pra girar, meu coração;
e não me importo
se ele gira, se ele roda
e até não me incomoda
se ele andar de mão em mão.
 
Virei criança
vem você, vem ser criança
vem você entrar na dança
vem brincar de pique esconde
e vem gritar
com a maior felicidade
eu vi falar de vaidade
não sei quando, não sei onde.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

DONA BARATINHA QUER CASAR



Dona Baratinha
pôs na porta da casinha
onde morava tão sozinha
uma placa bonitinha,
um aviso colorido:
“Precisa-se de um marido.”

Pôs-se na frente do espelho,
deu um trato no verniz
e passou um batom vermelho
fez um ar de bem feliz.

Pôs perfume, pó de arroz
e depois, bem maquiada
e julgando-se a mais bela,
muito bem paramentada
debruçou-se na janela
esperando o resultado.

Nisto surge o Gafanhoto,
um funkeiro saltitante,
mas um Grilo bem maroto,
pagodeiro interessante
muito bem intencionado,
muito doido pra casar,
um pagode incrementado
começou logo a cantar:

“Baratinha, Baratinha,
me escolha por favor,
vou encher esta casinha
de ternura e muito amor”

O Gafanhoto ultrajado
ficou muito aborrecido
pois era mudo o coitado;
queria ser o marido
e aquele Grilo abusado
fora demais atrevido.


Baratinha não gostou
daquela situação.
Decerto o Grilo abusou
e o Gafanhoto, um bobão,
no fim das contas chorou.
“Ai meu Deus, que confusão!”

Zangada mais que ninguém
trancou portas e janelas.
“Há males que vem pra bem.
Todos os dois, tão magricelas,
aposto, em casa não tem
nem comida nas panelas.”

E pra findar a questão,
dar um fim na picuinha,
Dona Baratinha, coitadinha,
muito da estressadinha
arranjou a solução:

Pôs na porta da casinha
outra placa bonitinha:
“Marido é complicação,
prefiro ficar sozinha!
Assinado, Baratinha.”

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Virei Criança...: novo livro de João Prado

      Com previsão de lançamento em outubro de 2012, "Virei Criança..." é o mais novo trabalho do poeta João Prado.
      É o quinto livro de João Prado e o primeiro totalmente voltado para o público que ele mais ama: as crianças. São poemas leves, engraçados, divertidos e com a marca do Poeta do Otimismo.
      O livro ainda traz ilustrações para colorir assinadas por Luise Cardoso, que também desenhou a capa. 
      Confira um poema e algumas imagens.
O SOL NÃO TEM GUARDA-CHUVA
Creio que o sol
não tem guarda-chuva
nem capa;
se chove
ele logo se esconde.
Será que ele fica
em casa dormindo?
E se acaso tem casa,
também não sei onde.

Ele é tão bobinho,
não sabe o que é bom:
brincar numa chuva,
ficar bem molhado,
sapato encharcado,
meu Deus, ATCHIM!
O risco que tem
é pegar resfriado.

Mas vale a aventura,
o risco compensa!
Pra mim o sol tem razão:
se o meu corpo quente
me faz resfriar,
coitadinho do sol,
que resfriadão!