Dedicado à obra do Poeta do Otimismo, trazendo textos seus e informações sobre apresentações.
terça-feira, 24 de março de 2020
CASTIGO
Hoje eu gostaria de abraçar
Mas não posso não
Fica o abraço
para outra ocasião
Fomos impedidos de abraçar e dar a mão
O momento é de mais reflexão
Quando poderíamos abraçar não abraçamos.
Quando poderíamos doar não doamos
E agora?
A solução?
Parece não haver mais horizontes
Fecharam- se os caminhos, nossas pontes.
Que saudade da emoção!
Do aperto de um abraço...
Coração mais coração...
Num só compasso.
Solidão!
Há notícia de um perigo ,
e a sensação
é que ficamos bem meninos
pequeninos
de castigo
sem saber porque razão.
João Prado
24/03/2020
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
Cinzas
Depois de tanta graça e alegria
Se guarda a colorida fantasia
É mais uma ilusão que se termina
Foram três dias que passei em sonho
E na quarta-feira acordei tristonho
Sem confetes, sem tamborim, sem serpentina
Eram cinzas, o sol já ia alto,
Eu ainda sentia o cheiro no asfalto
De um carnaval que viveu, mas que passou
E foi tão breve como é toda folia,
Pois fiquei só nas cinzas de agonia,
Foi-se o amor da alma tristonha que sonhou.
Nas cinzas o folião acha do lado,
Ao despertar, o vidro meio usado
Do lança perfume, os tamborins, a fantasia
E a minha quarta-feira de tormento
Eu encontrei ao despertar no aposento
As minhas cartas e as suas fotografias
A minha vida era um eterno carnaval
Era o mais belo, o mais risonho festival
Que eu vivi, que desfrutei, mas terminou.
As cinzas são mais tristes, foi-se a festa,
Na rua só os vestígios que se restam
De um carnaval que as ilusões todas arrastou
Os presentes e a aliança que lhe havia dado
Estava tudo a mim endereçado.
Nem precisava, eu já sabia a minha sina,
Mandou-me um bilhete sem ternura
Só uma frase sem carinho e sem candura
Aqui entre nós tudo termina.
Ela tirou a máscara, eu tirei a minha.
Eu que julgava ser um rei, ela rainha,
Tirava as tristes vestes de palhaço
E o destino que é ingrato, que é cruel,
Me fez passar por este sórdido papel
Que ainda sinto a dor amarga do fracasso.
Hoje não ouço o repicar dos tamborins,
Não há na rua os pierrots
os arlequins,
É quarta-feira, tudo volta ao natural,
Tudo volta a tanger as criaturas,
A tristeza, a agonia, as amarguras,
O dissabor que não se foi com o carnaval.
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
Se é preciso espetáculo... Tem sim senhor!
E atenção, vai
ser dado
o terceiro sinal
“tem, tem, tem.”
E no circo repleto
um povo seleto
em suspense
aguarda
o espetáculo de
estrela.
Na arquibancada
vê-se estampada
a ânsia normal
da platéia.
Picolés e
sorvetes
lambuzam
sorrisos
e as pessoas se
apressam
em passos
precisos
preenchendo os
escassos
lugares que
restam.
O circo, sei lá,
tem um “quê” que
fascina.
A lona e o
astral
que afinal
predomina,
um ar de magia
e encanto
emprestam.
E anuncia,
afinal,
o espetáculo,
um senhor
sorridente
e a orquestra
afinada
principia a
noitada
tocando um
dobrado
contente.
E rufam os
tambores
e os atiradores
e os mágicos
e os
equilibristas
senhores
artistas
e as bailarinas
e os dominadores
nos picadeiros
desfilam
sobre os faróis
multicolores
dos refletores.
Mas embora o
espetáculo
comece tão bem
nota-se a falta
de alguém,
a alegria do
circo.
Algo está
faltando no espaço
em meio aos
suspenses normais
falta a alegria,
falta o sorriso,
falta o
palhaço...
e o palhaço não
pode faltar.
Mas onde o
encontrar?
no camarim o
palhaço querido
sozinho soluça
um romance
rompido.
Mas que coisa
engraçada!
O palhaço ao invés
de fazer
palhaçada
está chorando
num canto.
Esvaindo-se em
pranto
sofrendo a
tristeza
que aos poucos o
abate.
O palhaço
chorando!
Mas que
disparate
que coisa
anormal!
E o pranto
rolando
e lavando o
alvaiade
em gotas
sinceras
de infelicidade
de um palhaço
real.
Nisto surge o
empresário
que autoritário
repreende sem
pena
o querido
palhaço.
E este, com uma
lágrima
tremida
perdida na face
como se a um
pranto
quase incessante
cortasse,
parou de chorar
e quase sorriu.
Ajeitou a
pintura manchada
na face marcada
e então
mascarada.
E para o velho
e vulgar
picadeiro, partiu.
E a alegria foi
grande
na sua chegada.
E os bravos e
vivas
da gente
encantada.
Hoje tem
marmelada?
Tem sim senhor!
Hoje tem
goiabada?
Tem sim senhor!
Hoje tem
espetáculo?
Tem que ter sim
senhor.
Assim somos nós
em momentos da
vida;
às vezes a dor
do pulsar da
ferida
castiga tão
forte
que a morte é um
bem,
mas a força-empresário
lá dentro da
gente
precisa ser
sempre
gigante,
pungente
gritando pra
gente:
Além, vai além.
E a gente se
veste
palhaço pirraça
fazendo de conta
que o pranto é
chalaça
e tocamos a vida
do jeito que for
o peito doendo
a cara pintada
o pranto rolando
fazendo piada
Se é preciso
espetáculo,
Tem sim senhor!
segunda-feira, 30 de setembro de 2019
Virei criança
Virei criança
já não tenho mais juízo
descobri que só preciso
de um sorriso pra viver.
Virei criança
não me afobo com a desdita
vejo a vida mais bonita
quando eu deixo acontecer.
Virei criança
Faço muito pelo pouco
meio bobo, meio louco
acho a guerra uma utopia.
Virei criança
picolé pra mim é festa.
Eu namoro pela fresta
da janela da alegria.
Virei criança
e na estrada da inocência
meu amor virou doença
de se dar sem receber.
Virei criança
eu cantei, brinquei de roda
e a esperança tão em moda
deu-me a mão pra me dizer
que ser criança
é ter tudo sem ter nada
é nas mãos da namorada
ter o doce que há no mundo.
Virei criança
e tão bom se toda a gente
se fizesse assim somente
pelo menos um .segundo.
Virei criança
tenho medo do escuro
e por traz de qualquer muro
pode ter bicho papão.
Virei criança
e meus pés sem protocolo
andam nus pisando o solo
sem pisar minha razão.
Virei criança
e com minha atiradeira
derrubei da goiabeira
um filhote de tristeza.
Virei criança
vou feliz cortando o campo
quero a luz do pirilampo
vou nascer na correnteza.
Virei criança
vou caçar um resfriado
vou morar todo molhado
numa chuva, coisa boa.
Virei criança
traquinice é minha dona
na esperança fiz carona
pra sorrir enquanto voa.
Virei criança
e no peito um passarinho
canta, canta o coitadinho
e quanto mais, mais quer cantar
Virei criança
se meu sol está distante
está perto e quem garante
é a razão pra desbravar.
Virei criança
empinei meu papagaio
e o danado como um raio
estancou, voou, sumiu.
Mas ser criança
é ter outro simplesmente
bem mais alto e mais coerente
que o primeiro que fugiu.
Virei criança
pus no peito uma esperança
pus um doce de criança
na cabeça pra pensar.
Não sei de guerra,
nem de crime nem de morte
benfazejo a minha sorte
tenho o mundo pra brincar.
Virei criança
pus na mão do meu destino
um pião bem pequenino
pra girar, meu coração;
e não me importo
se ele gira, se ele roda
e até não me incomoda
se ele andar de mão em mão.
Virei criança
vem você, vem ser criança
vem você entrar na dança
vem brincar de pique esconde
e vem gritar
com a maior felicidade
eu vi falar de vaidade
não sei quando, não sei onde.
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Boêmio
...........minhas estrelas
...........teus olhos
a canção...........
...........tua voz
meu poema...........
...........teu riso
...........minha mesa
teu corpo...........
meu pileque de amor
é provido do mel
que roubei de seus lábios
teu cabelo é a noite
perfumado, cheiroso...........
teu beijo é gostoso...........
...........e gostoso porque
meu copo, teus lábios
meu vício você...........
(Poema do livro inédito Castelo de ilusões)
segunda-feira, 29 de julho de 2019
A boa idade
Ao
chegar a primavera,
Quero
estar com trinta anos,
Outra
vez com trinta anos,
Tantas
vezes, trinta anos.
Trinta
anos é uma idade
Onde
há por excelência
O
vigor da mocidade
Atrelado
à experiência.
Ao
chegar a primavera,
Quero
estar com trinta anos
Dando
boas gargalhadas,
Sem
me ater aos desenganos.
Quero
noites estreladas,
Quero
dias de sol quente,
Quero
ir tocando em frente
Com
sabor nas caminhadas,
Quero
ter a alma alegre
Encantada
pela vida,
Quero
estar apaixonado
Na
estação mais colorida,
Quero
ir de braços dados
Com
a esperança, tantos planos.
Eis
porque os trinta anos.
Ao
chegar a primavera,
Quero
pouco, quase nada,
Simplesmente
quero ter
Uma
flor no meu caminho,
Um
punhado de carinho
domingo, 2 de junho de 2019
Filme sobre o João Prado tem pré-estréia em praça pública!
Em uma ação da FLEM (Feira do Livro Espírita de Mesquita, que este ano homenageou o poeta João Prado), aconteceu a pré-estreia do filme JOÃO PRADO - O POETA DO OTIMISMO, dirigido por Glaucio Cardoso, em plena Praça João Luís do Nascimento, centro de Mesquita.
O Filme estreou oficialmente em 01/06, no youtube, e pode ser conferido aqui!
O Filme estreou oficialmente em 01/06, no youtube, e pode ser conferido aqui!
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