O Filme estreou oficialmente em 01/06, no youtube, e pode ser conferido aqui!
Dedicado à obra do Poeta do Otimismo, trazendo textos seus e informações sobre apresentações.
domingo, 2 de junho de 2019
Filme sobre o João Prado tem pré-estréia em praça pública!
Em uma ação da FLEM (Feira do Livro Espírita de Mesquita, que este ano homenageou o poeta João Prado), aconteceu a pré-estreia do filme JOÃO PRADO - O POETA DO OTIMISMO, dirigido por Glaucio Cardoso, em plena Praça João Luís do Nascimento, centro de Mesquita.
O Filme estreou oficialmente em 01/06, no youtube, e pode ser conferido aqui!
O Filme estreou oficialmente em 01/06, no youtube, e pode ser conferido aqui!
sexta-feira, 3 de maio de 2019
Tempo de revolta
Dá
um tempo que eu reviro,
Hoje
estou pelo avesso.
Se
é possível um recomeço,
Por
que não recomeçar?
Me
refiro a esse estágio
De
amargar o resultado,
Mas
se tudo é aprendizado,
Pode
até me sufocar,
Me
sufoca, mas não mata,
Sou
de pedra, sou de aço,
Ninguém
toma o meu espaço.
Pode
até virar cascata
Essa
lágrima que rola,
Mas
eu vou tocando a bola,
Não
me entrego ao Deus dará.
Sou
semente que germina
Entre
as brasas,
Sobre
as cinzas,
Entre
as sobras das ruínas,
Sou
enfim jacarandá.
Quero
o céu do meu caminho
Estrelado
tanto, tanto,
E
um sol surgindo lento,
Fumegando
o firmamento.
Dá
um tempo que eu levanto
Meu
astral, me recupero.
Tudo
tem a sua hora,
Menos
mal,
E
o que eu espero
Eu
engulo sem demora,
Mas
aquilo que eu não quero
Eu
mastigo e cuspo fora.
segunda-feira, 25 de março de 2019
Chico Gente
Ah!
Chico, quanta ternura
Semeaste
no caminho.
Lembrando
a tua lisura,
A
mansidão e o carinho,
Tem-se
decerto a noção
Que
aquele teu jeito manso,
Sereno,
pequenininho,
Passava
sempre a lição
Que
a gente pode ser grande
Sem
macular a razão;
Que
a gente pode ser forte
E
usar a força da gente
Em
beneficio do irmão;
Que
a gente pode ser meigo
Diante
da ingratidão.
Ah!
Chico, muito obrigado
Por
teu exemplo de amor,
De
fé, pelo teu legado,
Por
teu comprometimento,
Por
toda sabedoria,
Pelo
teu encantamento,
Por
toda tua poesia.
Com
o teu ensinamento,
Com
todo teu bom humor,
Com
toda tua magia
Eu
penso que a própria dor
Bebeu
da tua alegria;
Por
todo exemplo deixado
Ah!
Chico, muito obrigado!
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
A guerra e o louco
Ah! O que ouço? São os canhões
novamente!
Será que não param? Será que essa
gente
Não tem piedade de matar
inocentes
Chamando inimigo a quem jamais
lhes fez mal?
São eles que voltam e os tiros
revoltam
E através da vidraça eu olho a
desgraça
Da guerra que encerra a paz
afinal.
São corpos tombados, são corpos
sem vida,
É a gente que morre, é a gente
esquecida,
É a gente que esquece de Deus
pelas terras,
É a gente, é a guerra, é a
guerra, é a guerra.
Quantas vidas se esvão numa
batalha,
A própria terra se estremece, se
esfrangalha
Ao deixar por tanto sangue se
manchar.
São soldados que na ânsia da
vitória,
Enlevados pela conquista de uma
glória,
Abandonaram tudo, a família, o
próprio lar.
Mas a guerra é pra forte, é pra
homem, é pra gente.
A guerra é bravura de gente
valente.
A guerra é sublime, a guerra é
bonita,
A guerra é terror, a guerra é
maldita,
Aniquila, orfandeia, mutila,
assassina.
Mas a guerra dá nome, eu também
quero ir
Que me importa que eu morra, que
eu perca um braço?
É mais vergonhoso aceitar o
fracasso
Que ficar na lembrança de alguém
como herói.
João Prado
Do livro Castelo de Ilusões
segunda-feira, 28 de janeiro de 2019
O CAIS
Você partiu de mim
como o navio se afasta do cais
e cada vez mais foi se afastando,
se afastando, se afastando.
E foi levando a festa,
e foi levando a paz,
foi carregando
o riso, a esperança
e tudo mais
pra talvez, quem sabe até infelizmente,
descarregar sorrindo noutro cais.
Você partiu de mim
feito o navio,
e como é melancólico, meu Deus,
o cais vazio.
Eu sou o cais.
Há um estoque de saudade
num canto envelhecendo,
morrendo comigo
ou renascendo
a cada minuto em vão
de ansiedade.
Há um punhado de lágrimas
cristalinas,
sofridas,
de verdade,
remetidas da região
onde proliferam o amor
e a desilusão.
Eu sou o cais
que assistiu inerte a sua partida
sofrida, dolorida,
sem gritar, sem lhe implorar,
sem tentar lhe segurar com as amarras.
Eu sou o cais
inerte ao canto triste das cigarras
e triste ao canto alegre dos pardais.
Eu sou o cais.
Eu sou o cais.
Eu sou o cais que quisera lhe gritar
para não ir,
para pensar,
para medir,
pra meditar
que não era você somente que partia,
mas que era a minha metade
que se ia.
Eu nos sabia unidos num só corpo,
coração num só,
cérebro num só,
força, fé e ansiedade
numa só.
Eu era um cais navio,
metade mais metade,
e com um nó
que fez do peito em festa
de repente
se explodir num pranto,
me fez um cais vazio
feito encanto.
Eu sou o cais
à espera do navio que partiu,
que fugiu.
Que seguiu por outros mares
só a esmo.
Por que singrar os mares procurando
a festa que está dentro
de nós mesmos?
Eu quero que tu voltes,
que traga seu sorriso, sua festa,
pois dentro desse peito ainda me resta
uma festa somente adormecida.
Traz o seu sorriso para a festa
e assim eu farei festa dessa vida.
A minha festa vai desconsolada
enquanto de saudade andar vestida.
Eu quero que tu voltes
pra te falar das ondas boas
que vieram,
das ondas más também,
e por que não?
Pra te falar das noites vagarosas
que eu andei metido na prisão
da dor,
desse vazio dessa hora,
dessa irremediável solidão.
Eu quero que tu voltes sem demora,
porque eu tenho um punhado de estrelas
nessa mão,
e se uma estrela basta pra quem chora,
olha como eu quero essa versão.
Eu quero que tu voltes
pra te prender enfim com as amarras.
E então verei a vida gargalhando
até no canto das cigarras.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2018
Protesto
Seu moço me dá licença
pra
falar, que a vez é minha.
Meu
nome é povo cansado
e
ando meio danado
porque
a fome se avizinha
e
não tem nenhum letrado,
não
tem um capacitado,
não
tem um doutor formado
pra
botar o trem na linha.
Eu
tenho uma filha grande
e
outra pequenininha,
tremem
de frio no inverno,
comem
feijão com farinha,
ovo
frito dá pra dois,
vez
em quando tem arroz,
vez
por mês comem galinha
quando
dá pra extravagância.
No
peito eu tinha esperança,
por
pouco não caducou;
já
cansei de suplicar
pro
Deus, Nosso Senhor,
porém
na minha carteira
de
trabalho, a vida inteira
não
foi Deus que autografou;
Deus
fala de amor, bondade,
ensina
fraternidade
mas
tem outra metade
que
depende dos doutor,
que
depende dos “sinhô”,
depende
das excelências
que
me pedem paciência,
paciente
até que sou.
Seu
doutor, nas minhas veias
não
corre sangue vermelho;
meu
sangue é verde e amarelo
e
se baterem o martelo
“quanto
dão pelo país”
eu
dou a vida doutor,
dou
a vida sim senhor.
E
morro de tanto amor
e
faço mais do que fiz
até
se preciso for,
pois
doutor eu sou raiz.
Povo
é a força pela dor
que
ainda espera ser feliz
e
se alguém sonha com flor
que
cuide dessa raiz.
Eu
tenho nas minhas mãos
medalhas
que conquistei
no
concreto que virei,
no
aço que temperei,
no
volante que girei
levando
a festa na estrada.
No
tronco que derrubei,
recebendo
um quase nada;
na
cana que já ceifei,
no
feijão que temperei,
no
remédio que inventei,
nas
lições que eu já ensinei,
nos
trigos que semeei,
no
café que debulhei,
nas
peças que já forjei,
no
pão que já amassei
despertando
a madrugada.
Eu
tenho nas minhas mãos
medalhas
do meu trabalho.
O
suor pinga do rosto
que
estanca se bate o malho
pra
comer, ir embora.
E o
peito por dentro chora
pelo
aluguel atrasado,
pelo
corpo esfarrapado,
pelo
querer desgastado.
O
dinheirinho que ganho
pra
pagar tudo no mês
dá
pra garrafa de cana,
whisky
do seu bacana,
que
consome de uma vez
num
bate papo qualquer
onde
falam de mulher,
de
ir na Europa de novo...
Só
não comentam do povo,
povo
tem ocasião.
“O
povo vai se lembrado
quando
for aproximado
o
período da eleição.”
E o
povo sempre calado,
um
futebol bem jogado,
um
samba bem caprichado,
a
cerveja e o carnaval,
e o
pobre nem se dá conta
como
é que a vida vai mal.
Mas
se dá conta doutor
o
povo está se cansando,
o
povo está se agitando,
o
povo está esperando,
ainda
está acreditando
que
quem está na direção
mude
a marcha, bote freio,
que
dirija sem receio,
sem
medo de reação.
Comece
tudo de novo.
Puxe
a espada do seu seio,
grite:
“agora é a vez do povo”
antes
que o povo faminto,
cansado
das excelências,
das
vergonhas,
incoerências,
das
injustiças,
indecências,
grite:
“agora a vez é minha”
e
parta pra independência
com
as facas da cozinha.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
E agora?
E agora, José?
não há mais
sorriso
e o sonho
acabou,
e uma estrela na
terra
afinal se apagou.
De repente um doído
semblante de paz.
e agora, José?
José não há mais.
Quem fará os
bercinhos
de pinho de riga
e a cadeira
bonita
de jacarandá?
O baú, a gamela,
o armário e uma
figa
com o mesmo
carinho,
e amor quem
fará?
Quem trará
guloseimas
“Cantina
Sorrento”
e as maçãs
embrulhadas
de um jeito teu
só
a expressão tão
incrível
de contentamento
do menino feliz
ao dançar um
forró.
E agora, José?
que deixaste a
carcaça
e que o tempo de
dor
já ficou para
trás
Parecias, José
uma velha
barcaça
amarrada,
ancorada
na beira do cais.
E não foi teu
feitio
José, esse jeito
às pedras jogado
ao cais sem
noção.
Tu que tinhas da
vida
de certo o conceito
que é preciso
viver
e curtir a
emoção
Mas a imagem que
fica,
José, entre nós
é a que sempre
passaste
no ano após ano
a de um barco
bonito,
gigante, veloz,
sorrindo,
vivendo,
rasgando o
oceano.
Vai ficar na
memória
o teu jeito
marcante.
Ah! Esse jeito
mineiro
que falta nos
faz.
Mas agora, José,
até um instante,
até logo, até
breve,
até já, até
mais.
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